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Poemas de Ary dos Santos continuam atuais para novos intérpretes

16 de janeiro de 2014

O poeta José Carlos Ary dos Santos, falecido há 30 anos, é autor, entre outros, de "Desfolhada Portuguesa", "Um Homem na Cidade", "Os putos", "Tourada", "Alfama" e "Lisboa menina e moça", letras de canções frequentemente recriadas pelos novos intérpretes.

“Ele tinha as palavras do povo e a capacidade pronta de improvisar”, disse numa entrevista o guitarrista José Fontes Rocha, falecido há cerca de três anos. Segundo o músico, “é este o segredo para as canções e os fados de Ary [dos Santos] continuarem a ser cantados até pelos amadores, e pela gente comum". "Mostra uma tal facilidade que uma palavra puxa a outra, e temos o poema de memória”, rematou o músico.

José Carlos Pereira Ary dos Santos morreu aos 46 anos, no dia 18 de janeiro de 1984, passam 30 anos no próximo sábado. Por quatro vezes venceu o Festival RTP da Canção, um dos certames de maior popularidade nas décadas de 1960 e 1970, com as canções “Desfolhada”, por Simone de Oliveira, em 1969, “Menina do alto da serra”, por Tonicha, em 1971, “Tourada”, por Fernando Tordo, em 1973, e “Portugal no coração”, pelo grupo Os Amigos, em 1977. Deste grupo, entre outros, faziam parte Ana Bola, Luísa Basto, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho e Fernando Piçarra.

O produtor musical QuimZé Lourenço, que recentemente realizou um espetáculo com base nas cantigas de Ary dos Santos, salientou à Lusa, que o poeta “fez canções como nenhum outro, sem perder o lirismo e a sofisticação das palavras e conseguiu chegar às massas".

Fernando Tordo foi dos que mais canções cantou e musicou de Ary dos Santos, cerca de cem poemas, dos quais se destacam “Cavalo à solta”, "Carta de longe", “Tourada” e “Minha laranja amarga e doce”.

Aos poemas de Ary juntavam-se as composições originais de nomes como Nuno Nazareth Fernandes, José Luís Tinoco, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Mário Moniz Pereira, Alain Oulman, Tozé Brito, entre outros.

Sobre a facilidade de escrever ou alterar uma poesia sua, Fontes Rocha contou que, no poema “Alfama”, uma criação de Amália Rodrigues, com música de Oulman, a fadista não gostava do verso “Alfama não cheira a fado/Cheira a sardinha com pão”, e “de imediato, ali, Ary puxou o papel que Amália lia e emendou para ‘Alfama não cheira fado/Cheira a povo e a solidão’”.

Ary dos Santos foi criativo na agência de publicidade Espiral, e militante ativo do Partido Comunista Português, ao qual, entre outras, dedicou a poesia “Cravo de Abril”. O PCP é, aliás, o detentor do espólio do poeta.

Sobre Ary dos Santos, o atual presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, José Jorge Letria, afirmou que "foi um homem do excesso e da transgressão, um poeta que esteve presente nas canções, na publicidade, na política, que escrevia para revista, mas acima de tudo um grande poeta que usou as palavras de modo único e inimitável".

Foi – qualificou José Jorge Letria - "um homem que teve sempre uma atitude desmedida de coragem, força, generosidade e solidariedade, cuja obra poética é muitas vezes abafada pelas letras das canções que escreveu".

Amália Rodrigues, Simone de Oliveira, Maria Armanda, Vasco Rafael, Paulo de Carvalho, Samuel, Teresa Silva Carvalho, Tonicha, Beatriz da Conceição, Luísa Basto foram alguns dos artistas que interpretaram letras de Ary dos Santos, assim como Carlos do Carmo, de quem foi amigo e com quem teve um projeto discográfico, do qual se destaca o álbum “Um Homem na Cidade”.

Hoje vários sãos os intérpretes que têm recriado as suas letras como, entre outros, Mariza, Camané, Pedro Moutinho e Mayra de Andrade.

Em 2009, quando passavam 25 anos sobre a morte do poeta, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti recuperaram algumas das suas canções no projeto "Rua da Saudade", designação que evoca o lugar na encosta do Castelo de São Jorge, onde Ary dos Santos viveu.

@Lusa

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