07 de abril de 2011
Apesar da explosão de cores da capa e restantes imagens promocionais, o quarto álbum dos The Gift brilha menos do que os anteriores. Em "Explode" a banda de Alcobaça aposta num som mais orgânico, mas as canções saem a perder.
Em tempos de crise, a oferta de música é uma atitude merecedora de aplausos. No caso dos The Gift, a ideia de disponibilizar o novo disco na internet - onde cada utilizador pagava o que entendesse - foi uma estratégia promocional que parece ter dado frutos (com concertos de apresentação muito concorridos e a chegada de "Explode" ao primeiro lugar do top de vendas após a edição física).
A ideia não foi propriamente uma pedrada no charco, mas deu continuidade à postura do it yourself que os Gift praticam desde os primeiros dias. O problema é que, tal como ocorreu com os últimos discos dos Radiohead, a estratégia de divulgação acabou por ser mais interessante do que a música.

Infelizmente, as cores garridas que marcam a nova imagem dos Gift - com fotografias tiradas em plena celebração indiana - embalam o conjunto de canções mais anémico que o grupo já reuniu. A herança trip-hop do surpreendente "Vinyl" (1998), álbum de estreia com uma coesão acima da média, ou a indietronica de "AM-FM" (2004), díptico ainda bastante seguro, são já uma memória distante do que se ouve em "Explode".
Rendido ao rock de guitarras épicas que tem vingado em território alternativo (ou nem tanto) nos útimos anos, o disco deixa para trás os sopros e cordas ainda mais grandiosos. Até a electrónica, que se mostrou essencial em muitas canções dos registos anteriores, é pouco mais do que um adorno habitualmente discreto.
Nada contra, caso as canções mantivessem a força que os Gift demonstraram há anos. Mas se "Let It Be My Me" desperta curiosidade no arranque, os 12 minutos de "The Singles" intrigam (sobretudo no último terço) e "RGB", apesar das guitarras, ainda soa à banda de Alcobaça e é um single eficaz, o alinhamento raramente cativa.
As letras também não ajudam muito, uma vez que são quase sempre marcadas por um optimismo zen, misto levezinho de conselhos de fortune cookies e livros de auto-ajuda.
E depois há a proximidade excessiva a referências indie do momento - com os Arcade Fire à cabeça -, que atravessa todo o álbum. É certo que a música dos Gift sempre deveu alguma coisa a influências internacionais - dos Portishead a Björk, dos Lamb aos Air -, o que não impediu a criação de discos com personalidade. Em "Explode", torna-se mais difícil saber quem são e o que querem ser os Gift. Talvez o regresso a casa, depois da viagem à Índia, encoraje um resultado final mais profético num eventual próximo álbum.
Videoclip de "Made for You":
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