04 de março de 2011
Depois da sensação de deslumbramento do primeiro álbum, no segundo Lykke Li canta o negrume da entrada na idade adulta. Mas nem por isso "Wounded Rhymes" perde o apelo pop associado à jovem artista sueca.
O percurso de Lykke Li ainda não é muito longo - até porque a cantora e compositora ainda só conta 24 Primaveras -, embora seja já dos mais auspiciosos da fértil pop escandinava.
"Youth Novels", o disco de estreia, editado em 2008, deu-lhe uma visibilidade que entretanto reforçou através de colaborações com o conterrâneo Kleerup ou os norte-americanos N.A.S.A., assim como pela participação na banda-sonora de "The Twilight Saga: New Moon". Já para não falar, claro, dos inúmeros concertos que a levaram a vários palcos internacionais, entre estes os portugueses, onde Lykke Li não foi menos do que efervescente.
Agora, depois de deixar muito boa gente a cantarolar rebuçados pop como "Dance Dance Dance" ou "I'm Good I'm Gone", volta a dar um passo decisivo. "Wounded Rhymes", o aguardado segundo álbum, confirma os sinais de mudança sugeridos pelos primeiros singles, voltando a apresentar canções com personalidade bem vincada mas onde a amargura ganha terreno à inocência.
"Youth Knows No Pain", o primeiro tema, é praticamente uma nota de intenções para esta nova Lykke Li, sendo também uma resposta à leveza agridoce do primeiro disco.
Ao longo do alinhamento, a dor acaba por ser um elemento essencial destas canções, que mais do que o final da adolescência abordam as primeiras experiências da idade adulta. E se o tom não é o mais optimista, dará razão a quem acredita que o nível de inspiração é proporcional à perturbação emocional do artista (antes de editar o disco, a cantora passou pelo final de uma relação e isolou-se algum tempo no deserto californiano).
Melancólico, mas sem abdicar de uma apurada carga pop, "Wounded Rhymes" intercala alguns dos momentos mais efusivos que Lykke Li já nos deu a ouvir com outros nos seus antípodas. A mistura funciona e passa pela provocação percussiva de "Get Some", pela country com ecos dos girl groups de "Unrequited Love", pela sussurrante e atmosférica "I Know Places" ou pelo refrão orelhudo da mais eléctrica "Rich Kids Blues".
De um alinhamento que não conhece canções dispensáveis destacam-se, contudo, "I Follow Rivers" e "Love Out of Lust", a primeira com uma inesperada carga gótica, a segunda com uma candura angelical - e ambas belíssimas, com Lykke Li melhor do que nunca. E se tudo correr bem, não há-de faltar muito para que possamos ouvi-las ao vivo por cá.
Videoclip de "I Follow Rivers":
Videoclip de "Get Some":
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