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Disco da semana: As madrugadas melancólicas de Moby

20 de maio de 2011

A tranquilidade e isolamento nocturnos dão o mote a "Destroyed", o décimo álbum de Moby. Mas apesar deste ponto de partida, o resultado não diverge muito dos seus últimos discos - ou seja, ainda não é desta que o norte-americano sai da sombra do multi-platinado "Play".

Já passaram doze anos desde a edição de "Play", inacreditável concentrado de singles que, durante o início do milénio, fez de Moby um dos músicos mais creditados em bandas-sonoras de campanhas publicitárias, filmes, séries ou reportagens televisivas, garantindo-lhe um súbito estatuto de estrela global como nunca tinha conhecido durante a sua carreira (iniciada em finais da década de 80).

Para o norte-americano, contudo, não parece ter passado assim tanto tempo, uma vez que, cinco álbuns depois desse marco - o seu maior sucesso criativo e comercial -, as suas canções continuam a seguir a matriz aí desenhada.

O recente "Destroyed" não foge muito a um template já explorado e repetido em "18" (2002), "Hotel" (2005) ou "Wait for Me" (2009), que parece ter atirado a discografia de Moby para um beco sem saída - "Last Night" (2008), apesar do tom mais retro, foi curiosamente a única excepção.

"Destroyed", banda-sonora para cidades adormecidas

O décimo álbum de Moby nasceu das recorrentes insónias que teve durante a digressão do ano passado, situação que o inspirou a compor, a partir do seu quarto de hotel, "uma banda-sonora para cidades vazias às duas da manhã". "I'm alone in this isolation", canta uma voz feminina em "The Low Hum", tema que não poderia ser mais claro no retrato de uma urbe adormecida.

Adormecido é, também, o ambiente dominante de boa parte de "Destroyed", com Moby em modo quase sempre introspectivo e melancólico. Tal como nos discos imediatamente anteriores, a experiência funciona melhor em pequenas doses do que enquanto um todo, já que quinze faixas são demasiadas para um álbum sem grandes novidades.

Há, como quase sempre, momentos a reter: o convidativo arranque de "The Broken Places", um belo instrumental atmosférico; o mais acelerado "Be the One", que alia vocoders a uma melodia circular; o tenso "After", talvez o episódio mais dançável e sucessor directo de singles como "Extreme Ways" ou "Machete"; o breve e cativante requiem "When You Are Old", que fecha o álbum em alta; e sobretudo "Blue Moon", delicioso acesso electropop que deveria ter mais paralelos ao longo do alinhamento.

Mas se há ocasiões em que Moby ainda mostra ser capaz do melhor, outras tantas expõem um músico que prefere o conforto ao risco. A combinação de samples ou vozes de escolas soul/blues/gospel, electrónica dolente e cordas e piano melodramáticos - não necessariamente em simultâneo - parecia fresca em "Play", teve os seus momentos em "18" e desde aí tem pecado por excesso. "Destroyed" é mais uma montra disso mesmo, sobretudo na segunda metade, em que temas como "Lie Down in Darkness", "Victoria Lucas" ou "The Right Thing" não são mais do que variações da mesma ideia. Mas são melhores, ainda assim, do que "The Day", que além da composição banal tem uma das interpretações mais fracas de Moby - músico que, de resto, nunca brilhou muito enquanto cantor. "Destroyed" merecia um single de apresentação mais convincente, mesmo que ainda não seja o disco que dá nova vida a um percurso acomodado.

@Gonçalo Sá

Videoclip de "The Day", o novo single:

Mais videoclips de Moby:

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