22 de setembro de 2010
Muitas vezes eléctricos, ocasionalmente maravilhosos e sempre competentes. No seu regresso a palcos nacionais, os Goldfrapp convenceram com a sua reconhecível receita de pop electrónica nesta quarta-feira. E mesmo numa versão (cada vez mais) fast-food, a música dos britânicos continua saborosa.
Aos primeiros temas, alguns espectadores de uma sala apenas composta abanaram a cabeça. Um pouco à frente no alinhamento, muitos mais dançaram. E quase hora e meia depois, grande parte rendeu-se ao apelo dos Goldfrapp e saltou freneticamente com "Strict Machine", o único (e flamejante) tema do segundo encore.
Dois meses depois da sua passagem por Vila Nova de Gaia, integrada no Festival Marés Vivas, a dupla de Alison Goldfrapp e Will Gregory (que ao vivo se apresentou como quinteto) actuou no Coliseu de Lisboa e não só não esqueceu nenhuma canção do seu novo e quinto disco, "Head First", como ainda teve tempo de revisitar temas dos anteriores.
O mais acústico, "Seventh Tree"(2008), foi o único completamente ignorado - uma ausência compreensível, já que é o álbum menos memorável dos Goldfrapp - e para quem ainda esperava que o duo regressasse às canções mais nebulosas dos primeiros dias (os do muito aclamado "Felt Mountain", de 2000), este terá sido um concerto para esquecer - "My Lovely Head" destacou-se como o único momento recordado, embora alguns espectadores tenham gritado por "Utopia".
Já para os que estiveram dispostos a aderir a uma faceta mais orelhuda e dançável, a noite serviu um espectáculo sem grandes razões de queixa. Genial? Longe disso, mas divertido e eficaz, com alguns temas novos que se mostraram tiros certeiros - os acelerados "Shiny and Warm" ou "Believer" - e o desfile de clássicos obrigatórios da banda - uma selecção festiva onde brilharam "Ooh La La", "Number 1" ou "Train", todos devidamente celebrados.
Alison Goldfrapp, no seu habitual estilo de plumas e lantejoulas com cabelo esvoaçante, nem precisou de dedicar mais do que os providenciais agradecimentos ao "público fantástico". As versões das canções, praticamente idênticas ao que se ouve em disco, não deixaram grande espaço para surpresas. E não teria sido mal pensado alargar um pouco o segundo encore (onde pérolas como "Fly Me Away" e sobretudo "Tiptoe" caberiam muito bem). Mas no essencial os Goldfrapp cumpriram, como se viu pelas muitas caras de contentamento à saída, ainda com o gosto (porventura efémero) de uma hábil confeitaria de pop electrónica.
Texto @Gonçalo Sá
Fotos @Vera Moutinho
Videoclip de "Alive":
Videoclip de "Number 1":
Em Julho assinaram um dos concertos mais dançáveis do festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia, e nesta quarta-feira os Goldfrapp prometem repetir a dose em Lisboa.
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