31 de agosto de 2012
Às vezes, o que foi não volta a ser, como parece ser o caso do grunge. Mas há bandas que insistem em voltar. Os Bush são mais uma e este domingo, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a noite é deles - e de muitas memórias dos anos 90.
Parece mentira, pelo menos para quem tem a sensação de que os anos 90 não se despediram assim há tanto tempo, mas os Bush já se formaram há vinte anos. Na ressaca do sucesso dos Nirvana, "Sixteen Stone" (1994), o disco de estreia dos britânicos, teve pelo menos o timing certo para conquistar uma série de admiradores de Kurt Cobain - e também para despertar a desconfiança, ou até o desprezo, em tantos outros que encaravam a banda de Gavin Rossdale como um parente pobre do trio de Seattle.
Como se estivessem decididos a reforçar as comparações, os Bush recrutaram para a produção do segundo álbum, "Razorblade Suitcase" (1996), nada mais nada menos do que o produtor de "In Utero" (o terceiro disco dos Nirvana), Steve Albini. A opção, se não os ajudou a conseguir a credibilidade de muitos melómanos, também não os impediu de continuar a conquistar uma legião de seguidores. Canções como "Swallowed", "Greedy Fly" ou "Bonedriven", acarinhadas por muitas playlists ou pela MTV, ajudaram.
Videoclip de "Letting the Cables Sleep" (2000):
Por alturas de "The Science of Things" (1999), o pós-grunge já era coisa mais do que mastigada e sinónimo de um rock FM mal disfarçado, com expoentes máximos em discos de bandas como os Creed, 3 Doors Down ou Nickelback, que faziam a obra dos Bush passar por genial. Inspirada pelas experiências de "Deconstructed" (1997), disco de remisturas, a banda de Gavin Rossdale apostou em traços mais eletrónicos, mas deixando espaço suficiente para as guitarras voltarem a chamar os adeptos - e atirando "The Chemicals Between Us" ou "Letting the Cables Sleep" para a lista de singles bem sucedidos.
O que se seguiu parecia encaminhá-los para um beco sem saída: em 2001, "Golden State", o quarto disco, serviu mais do mesmo e um ano depois a banda separou-se, o que não a impediu de editar um best of e um álbum ao vivo mais para a frente. Só faltava mesmo o concerto de reunião e a gravação de um novo disco, depois de os seus elementos se envolverem noutros projetos (Rossdale, por exemplo, formou os Institute e tentou uma carreira de ator), que ocorreram em 2010 e 2011, respetivamente.
E isto traz-nos a "The Sea of Memories", o álbum mais recente, que os Bush apresentam este domingo em Lisboa (com mudanças de formação que incluem um novo baixista e guitarrista). Numa altura em que os regressos de bandas dos anos 90 são cada vez mais habituais, este tem a vantagem de devolver os Bush ao território que, de acordo com muitos fãs, é o que mais os valoriza: o palco. Até porque o isco para o concerto do Coliseu dos Recreios nem será tanto o novo disco, mas a assinalável coleção de hits que o grupo foi amealhando na década do grunge. Posto isto, será que as camisas de flanela ainda servem?
Os Bush atuam a 2 de setembro no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a partir das 22 horas. As portas abrem às 20h30 e os bilhetes variam entre os 25 (plateia) e os 30 euros (camarotes).
@Gonçalo Sá
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