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Super Bock Super Rock

Super Bock Super Rock: O Verão dançou-se no Meco

Teve, muito provavelmente, a programação mais surpreendente do ano, até porque nas suas últimas edições o Super Bock Super Rock nunca juntou tantos trunfos. Prince, Pet Shop Boys, Cut Copy ou Vampire Weekend foram alguns nomes de um cartaz tendencialmente indie mas capaz de agradar a vários apetites entre 18 e 20 de Julho..

Em vez de Lisboa e/ou Porto, este ano o festival decorreu no Meco, em Sesimbra, e as actuações distribuiram-se por três palcos - Super Bock, EDP e @Meco.

SBSR, dia 1: Pop dos Pet Shop Boys ofuscou um cartaz indie

17 05:27:11 de julho de 2010

O cartaz era tendencialmente indie mas a pop acabou por sair vencedora no primeiro dia do Super Bock Super Rock. Mérito dos Pet Shop Boys e da sua pop electrónica, que tornou o Meco numa irresistível discoteca ao ar livre.

Embora Portugal esteja, desde há uns anos, na rota de muitos grandes artistas e concertos, não se percebe como é que os Pet Shop Boys demoraram tanto tempo - mais de duas décadas - a ter a sua primeira actuação por cá (em 2004, numa breve passagem pelo Freeport, em Alcochete). Ontem regressaram para um espectáculo mais longo do que o da estreia e o mínimo que pode dizer-se é que a espera valeu a pena.

A dupla britânica não só encabeçou o cartaz do primeiro dia do Super Bock Super Rock como assinou também o concerto mais concorrido. E de longe o mais festivo, com cerca de hora e meia de celebração ininterrupta (muito por culpa de um alinhamento que fluiu como um bom DJ set).

Não é que Neil Tennant e Chris Lowe sejam propriamente animais de palco. O primeiro cantou e, sim, dirigiu-se ao público com alguma frequência, mas sem deixar nenhum episódio memorável. O segundo, mais discreto, ficou no canto do palco entregue aos teclados e programações (protagonizando, contudo, um breve momento de dança). E o duo nem precisou de fazer muito mais já que surgiu envolvido num espectáculo engenhoso e inventivo, assente também em quatro bailarinos e num cenário capaz de se interligar com as canções de forma oportuna e inteligente.

Integrado na digressão "Pandemonium", o concerto manteve-se sempre ligado a um conceito imagético forte, aproveitando o cubo como elemento presente no palco, utilizado como máscara pelos bailarinos ou trabalhado num grande ecrã determinante para o espectáculo. E ainda usado como parte de um muro destruído em "Building a Wall" ou como arma de arremesso na discussão entre um casal de dançarinos durante "Jealousy".

Naturalmente que as canções também ajudaram muito, até porque os Pet Shop Boys são dos melhores defensores da pop electrónica das últimas décadas.
E se em álbum nem sempre convencem por completo, um alinhamento próximo do formato best of torna-se praticamente irrepreensível.
Essa força foi evidente em momentos como o inevitável "Go West" (o primeiro pico de euforia geral), "New York City Boy" (devaneio disco de apelo imediato), "Always on My Mind" (balada enérgica como poucas) ou "Se a Vida É" (que provou que, pelo menos para alguns, a felicidade existe).
E estes momentos de festa tiveram bons contrastes em "King's Cross", com Neil Tennant de smoking em modo crooner, ou no também meditativo mas mais ritmado "Two Divided By Zero". Tudo somado, já não se via por cá um espectáculo tão desavergonhadamente pop - e tão certeiro nessa intenção - desde o concerto de Kylie Minogue no Pavilhão Atlântico, no ano passado - também essa uma agradabilíssima estreia.

A noite também pertenceu aos australianos

Felizmente, os Pet Shop Boys não foram os únicos a fazer a festa no arranque do festival. Também no Palco Super Bock, os Cut Copy regressaram para uma actuação tão convidativa como as do Sudoeste ou do Lux, em 2008, e desta vez trouxeram canções novas na bagagem - do seu terceiro disco, a editar em Janeiro de 2011. Uma delas, "Blink", foi especialmente sedutora, aliando uma produção electrónica milimétrica a sabores orientais. Já as canções mais antigas não têm nada a provar e, tal como nas ocasiões anteriores, funcionaram muito bem, propondo um belo início de noite - "Hearts on Fire" ou "Out There in the Ice", ambas excelentes, causaram mesmo das maiores nuvens de poeira do dia, dado o índice de saltos que despoletaram.

Igualmente australianos, os Temper Trap mostraram que a promissora estreia em Portugal - em Paredes de Coura no Verão passado - não foi mero acaso. Se nessa primeira actuação entraram em palco na abertura do dia, ontem foram os penúltimos a tocar e contaram com um dos melhores acolhimentos do festival no Palco EDP. "Sweet Disposition", em particular, foi recebido com aplausos, muitas vozes e sorrisos estampados, confirmando-se como forte candidato a hino geracional. Mas há mais motivos de interesse no disco "Conditions", como a banda deixou evidente.

Todos os concertos do Palco EDP foram, de resto, muito disputados, e incluiram os de St. Vincent, Beach House ou Grizzly Bear, já no final. Nem sempre tão preenchido, o dos Keane no Palco Super Bock apresentou uma banda correcta, que depois de uma primeira metade algo morna despertou maiores atenções em "Crystal Ball" ou "Bedshaped". Tom Chaplin, o vocalista, também fez por isso, dirigindo-se várias vezes ao público e enchendo-o de elogios. Simpático e empenhado, terá conquistado adeptos para um eventual regresso dos britânicos... embora alguns possam ter esquecido grande parte das suas canções, pouco depois, quando os Pet Shop Boys entraram em cena com a actuação mais ofuscante deste primeiro dia.

Texto @Gonçalo Sá/ Fotos @Vera Moutinho

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